Tiger 900 Rally Pro

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quarta-feira, 8 de abril de 2026

Viagem de moto à Serra Gaúcha (São José dos Ausentes-RS), 21 a 24 de março de 2026

 



O chamado da estrada

Viagenzinha de moto 

4 dias, 1.321 km, solo


De volta à vivência dessa fórmula de pequenas viagens de moto, cerca de um ano e meio depois da última vez. Agora, com uma nova máquina, a notável Royal Enfield Himalayan 450. Será que vou achar novamente o jeito de brincar essa brincadeira, após tão expressiva lacuna?

Mas antes de falar sobre a viagem em si, vamos ver um pouco sobre essa belezinha de moto. Adquiri a Himalayan 450 em novembro do ano passado, depois de muita pesquisa e reflexão sobre qual modelo iria investir meus cobres. Depois de ter passado, nos últimos 14 anos (de 2010 a 2024), por motos emblemáticas do universo Big Trail - BMW 1200 GS (9 anos de uso), Ducati Multistrada 1200 (11 meses) e Triumph Tiger 900 Rally Pro (3 anos) - decidir mudar de faixa de potência/ tamanho para um degrau abaixo foi um raciocínio baseado em um punhado de variáveis. Primeiro tem a questão determinante do custo do equipamento (e de toda a cadeia logística, tributos e custos relacionados), mas esse é só um dos pontos. Mais do que isso, uma moto menor tem também vantagens técnicas no que diz respeito à pilotagem, que se torna mais amigável em certas situações (particularmente em estradas de terra, mas não apenas nesses ambientes).

Mas é lógico que motos são um tipo de equipamento que instigam muito mais pelo aspecto emocional do que exatamente pelo racional, e, com relação a isso, motos grandes, de alta cilindrada e alta tecnologia certamente têm um apelo inegável. Além ainda do afago puramente psicológico de se sentir pilotando uma máquina com potência e capacidades de sobra que as motos maiores proporcionam... E é nesses pontos que residia a minha dúvida se iria me adaptar a uma moto menor, depois de tantos anos e tão boas memórias arquivadas com as legítimas Big Trails.

Considerados todos os aspectos, experiência pessoal, muita pesquisa e um tanto de intuição, decidi-me então por essa motinha da Royal Enfield. Estilo retrô, monocilíndrica, 450 cilindradas. Confesso que inicialmente estranhei um pouco sua estética, mas aos poucos fui reconhecendo beleza em suas formas peculiares. 

Resumindo a história, hoje, depois de 3.500 km rodados, posso dizer que estou plenamente satisfeito e adaptado a essa bela máquina. É lógico que não há aqui os arroubos de potência e velocidade das grandes, mas em compensação ela entrega o necessário e suficiente para uma tocada divertida e prazerosa. E não é isso o que, essencialmente, buscamos nesses cavalinhos mecânicos?

Então a viagem: estava pois um tanto sedento pra colocar a motinha na estrada e ver como ela se comportaria numa viagem um pouquinho maior do que os percursos do dia-a-dia. Optei por dar uma rodada pela conhecida região das Serras catarinense e gaúcha, entre as cidades de Urubici e São José dos Ausentes. Região que de fato aprecio muito.

No primeiro dia fui de Curitiba a Urubici pela BR 116 até Lages, depois pela BR 282 e SC 110 (trechinho de 25 km bem sinuoso e bacana). Montei acampamento no Camping Terras do Sul, local já conhecido a 25 km da cidade. Reencontrei então com o amigo Dani, dono e gestor do camping, morador do local há já vinte anos, israelense de nascimento, com quem sempre há boas trocas de ideias.

À noite, enquanto preparava o jantar na cozinha comunitária, um camarada que estava por ali puxou conversa, e acabamos batendo um bom papo, em inglês, apesar da minha pouca prática no idioma. Um cara dos seus quarenta e poucos anos, israelense, estava viajando com a esposa e quatro filhos (duas crianças pequenas e dois um pouco maiores) por um ano, sendo que já havia passado quatro meses na Europa, agora estava passando mais uns quatro meses no Brasil e depois iria fazer uma última etapa de mais quatro meses nos Estados Unidos. Contou-me sobre as tensões das constantes guerras em que Israel se vê envolvido; que serviu na tropa de elite da marinha israelense por quatro anos; e que agora mantem lá em Israel uma escola preparatória para o serviço militar, para adolescentes. Conversamos ainda sobre viagens, sobre sua impressão do Brasil (muito boa, por sinal), e sobre sua perspectiva de futuro (retornar à terra natal e continuar tocando a vida). Sempre muito bom poder bater um papo com pessoas que estão vivendo um ritmo e uma realidade bem diferentes do dia-a-dia das "pessoas comuns". 

No segundo dia, um domingo, fiquei meio sem compromisso, justamente pra viver um pouco esse contra-ritmo de dar uma parada e observar as coisas (ambiente externo e interno). Fiquei ali pelo camping, dei uma caminhada, li um pouco, saí pra almoçar na cidade e à tarde o tempo deu uma virada, com muitas nuvens e cara de chuva. Fim de tarde imerso no silêncio e na paz daquele lugar absolutamente inspirador (o mesmo camping da noite anterior).

O terceiro dia da viagem amanheceu ainda bem nublado e cinzento. Arrumei minhas coisas e botei o pé na estrada, rumo sul, pelo alto da serra. Primeiro um trechinho de 85 km de asfalto até Bom Jardim da Serra. Estrada com muitas curvas e uma paisagem cinematográfica ao redor. Nesse ínterim a neblina matinal se dissipou e abriu um belo dia de sol e céu azul. 

Depois um outro trecho de mais uns 85 km de estrada de terra até São José dos Ausentes, cruzando os campos, horizontes e plantações de maçã do alto da serra. Percurso que já conhecia de outras ocasiões, mas sempre divertido e muito bonito. A Himalayan se comportou absolutamente bem nas diversas situações, transmitindo sempre muita confiança e controle na pegada. 

Na sequência desci a belíssima Serra da Rocinha, recentemente asfaltada (e ainda em obra em alguns trechos), irmã (e vizinha) da famosa Serra do Rio do Rastro. Cenário de cinema! Parece que estamos descendo do espaço em direção à Terra numa espaço nave. 

De volta à planície (e ao calor!), fui seguindo por umas estradinhas secundárias até desembocar, já no final da tarde, em meio a um trânsito intenso, nas imediações de Tubarão, onde achei um hotelzinho e tirei meu time de campo.

No quarto dia apenas segui pela famigerada BR 101 sentido norte. Até Florianópolis até que rendeu bem, dentro de certa normalidade, mas depois a situação se deteriorou, com um trânsito pesadíssimo de muitos caminhões, engarrafamentos gigantescos e aquele ambiente nada auspicioso de forma geral. Paciência... No final deu tudo certo. Cheguei de volta em casa no meio da tarde, bem satisfeito com o pequeno passeio. 

Resta, ao fim e ao cabo, "gerenciar" a sempre presente questão do sentido dos caminhos que percorremos, das escolhas que fazemos (e suas inevitáveis e decorrentes consequências), e mesmo dos caminhos que não percorremos, daquilo que vai sendo descartado no contínuo processo da vida... Talvez o segredo desse grande mistério que é a vida seja que não há, afinal, segredo algum, nem mesmo mistério. Talvez apenas um grande jogo de infinitas, incongruentes e inconclusivas opções, espalhadas por aí, como estrelas num céu noturno. Quem sabe?

Vamos juntos?




1º dia, Curitiba a Urubici
485 km percorridos




Tradicional confeitaria em Urubbici









"Amarelo caterpillar"
































Estrada entre Urubici e o camping Terras do Sul

































































Acampamento montado!



















Rio do Bispo, ao lado do camping







2º dia, camping Terras do Sul















3º dia, Urubici a Tubarão
358 km percorridos




Topo da Serra do Corvo Branco, que se encontra interditada, por estar em obras








Entre Urubici e Bom Jardim da Serra

















Entre Bom Jardim da Serra e São José dos Ausentes












































































































Divisa entre SC e RS






















































































Posto abandonado próximo a São José dos Ausentes 





























Trecho com muita pedra solta ("o rípio brasileiro"... Rsrs)










Serra da Rocinha











Lindo visual na Serra da Rocinha





























Estrada secundária na região de Timbé do Sul









4º dia, Tubarão a Curitiba
424 km percorridos

(sem fotos...)




Observação:
Média de consumo total na viagem: 28,2 km/l











Gratidão




Força Sempre















3 comentários:

  1. Que relato envolvente! Além da narrativa cheia de detalhes e reflexões, as fotos que acompanham o texto são um verdadeiro espetáculo à parte. Elas não apenas ilustram a jornada, mas ampliam a sensação de estar presente nos cenários descritos — das curvas sinuosas da serra às paisagens abertas e cinematográficas. A beleza das imagens reforça o encanto da experiência, transmitindo a atmosfera de liberdade e contemplação que uma viagem de moto proporciona.
    Gostei especialmente de como as fotos dialogam com o texto: cada registro parece sublinhar o espírito da aventura e o prazer de redescobrir o caminho com uma nova máquina.
    Gilson Assis

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  2. Top demais Assis! Relato incrível, cheio de detalhes nos levando a viajar junto... sensacional! Forte abraço!

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