em caiaque oceânico
2 dias, 78 km
Participação no evento organizado pela Tupi Caiaques
Você já teve a sensação de que as coisas da vida não seguem uma lógica previsível? Então aguenta aí, que já retornamos a esse tema.
Nesse final de semana participei desse evento organizado pela empresa Tupi Caiaques, capitaneado pelo casal Sérgio Ribeiro e Fabiana Florio e equipe - encontro de canoagem de expedição que está na terceira edição anual e que já se tornou o maior evento desse tipo no país.
Estiveram presentes em torno de cem embarcações e cerca de 115 remadores de diversas cidades e estados do Brasil. Mais do que um acontecimento esportivo, foi uma bela festa muito bem organizada e marcada por momentos que certamente ficarão na memória de todos os participantes.
No dia 4, quinta-feira do feriado de Corpus Christi, à tarde, realizou-se, num edifício no centro de Iguape, o briefing inicial e um ciclo de três palestras com temas relacionados ao mundo da canoagem. A essa altura, os participantes já haviam deixado seus barcos numa marina à beira do Rio Ribeira na cidade de Registro-SP.
Às seis horas da manhã da sexta-feira embarcamos em ônibus da organização, na cidade de Iguape (que seria o ponto final da remada), e viajamos 2 horas até Registro, onde fomos recebidos por um gentil café da manhã oferecido pela Prefeitura da cidade.
Em seguida, preparativos finais junto às embarcações e por volta das 10 horas da manhã partimos de Registro, pelo Rio Ribeira, sentido leste. Afortunadamente estava um belo dia de sol entre nuvens, com temperatura amena, o que contribuiu bastante para a sensação de bem estar durante a remada.
Nesse primeiro dia remamos 45 km com duas paradas técnicas pra descanso e alimentação. Por volta das 16:30 h chegamos ao local que nos serviria como acampamento para o pernoite, a Fazenda Jairê. Realizamos então a trabalhosa operação de retirar os barcos da água, seguida da montagem das barracas e então jantar (oferecido pela organização, mediante adesão). O restante da noite foi dedicado à interação dos participantes, animada por uma bela fogueira e até por um conjunto musical tocando sucessos da MPB - cenário perfeito após um longo dia de remo.
No dia seguinte a alvorada foi às sete da manhã. Desmontagem do acampamento, desjejum e preparativos pra retomar a viagem. Por volta das 09:30 estávamos na água. Seguiu-se então mais um belo dia de sol e céu azul, emoldurado por uma natureza intocada e aquela rara sensação de isolamento do mundo. Cada um organizou suas paradas pra descanso conforme a necessidade individual, com uma pausa geral um pouco mais longa para o lanche do almoço (incrementado por um muito bem vindo espetinho assado na brasa por um comerciante local).
No meio da tarde, por volta das 16 horas, aportamos em Iguape, concluindo 78 km remados nos dois dias, finalizando assim esse histórico encontro de canoístas apaixonados pela atividade.
Vale ressaltar, além do aspecto do encontro em si, o encanto que remar um caiaque num ambiente como esse nos proporciona. A par da atividade física específica de remar, há um verdadeiro espetáculo visual de apreciação da natureza de um ponto de vista que nenhum outro meio possibilita. Lentamente vão desfilando à frente dos olhos lindos cenários naturais, emoldurados por um gigantesco céu e um impressionante mundo de água sob o casco do barco.
O Rio Ribeira é um curso d'água de planície, com um desnível bem discreto entre os pontos em que iniciamos e que finalizamos a remada. Por isso tem uma correnteza bem lenta, estimada em cerca de 1,5 km/hora. Daí se pode concluir que percorrê-lo à base de remo exige sim um bom esforço de propulsão, que somado à corrente natural vai nos dar uma velocidade final necessária pra cobrir a distância proposta no tempo adequado.
Essas empreitadas de caiaque são de fato muito instigantes e prazerosas, mas demandam um grande trabalho logístico de organização e transporte de todo o equipamento, em particular dos barcos (normalmente levados sobre os carros ou em carretas específicas para esse fim). Quem acha que bicicleta, por exemplo, dá muito trabalho, é porque nunca se meteu nessa faina que é gerenciar os equipamentos de uma pequena embarcação. É o preço que se paga pela brincadeira.
A certa altura da viagem estive observando alguns remadores utilizando aqueles remos tipo groenlandês (pra quem não conhece, é um remo de madeira, com pás bem estreitas), e me pus a refletir sobre a eficiência daquele equipamento. Como pode um remo daquele, com uma área de pá tão pequena e ainda por cima sem qualquer curvatura, ser tão (ou mais) eficiente que os remos mais tecnológicos e feitos pra realmente empurrar a água (como o tipo rasmussen, por exemplo, que uso)?
E aqui está a conexão com a pergunta inicial deste breve relato: situações em que a lógica parece não funcionar conforme se espera; porque na prática, nesse caso dos remos, quem olha de fora vai certamente achar que uma pá curva, grande, vai ser mais eficiente que uma menor, despretensiosa; mas não é bem assim. No final das contas, parece que a menor funciona tão bem (ou melhor) do que a com a pegada mais robusta.
Mas isso não é exatamente uma conversa sobre remos... Ampliemos um pouco nosso ponto de vista, e é bem provável que percebamos esse mesmo padrão em vários outros aspectos da vida, quando mais esforço não reflete necessariamente em mais resultado! Será, afinal, que as coisas não seguem mesmo uma lógica de funcionamento esperada?...
Coloquemos assim: será que levar as coisas de forma mais suave, mais com jeito do que com força; mais com inspiração do que com método; mais com paciência e despretensão do que com vontade e obstinação; etc.; não funcionaria melhor? É meio contra intuitivo, eu sei, mas quem sabe?
Enfim, aprofundemos a ideia! Rsrs.
Bom demais! Vamos juntos?
dia 5, sexta-feira
45 km remados
dia 6, sábado
35 km remados
































































